segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Preço alto de seguro de automóvel ainda trava expansão

O crescimento do mercado de seguros de automóveis além das regiões metropolitanas não muda a estatística. Seja no interior ou na capital, o número de brasileiros que contratam a proteção para o automóvel não ultrapassa 30%. Além da cultura que começa a ser desenvolvida no Brasil, o preço alto é um entrave. Roberto Barbosa, corretor e ex-presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor), explica que o valor da proteção cresce considerando fatores de risco e reforça que um mesmo veículo pode custar mais caro, dependendo dos índices de violência do bairro onde o motorista mora. Ele reforça que são muitos os fatores que interferem na cotação, por isso é difícil estabelecer um preço médio. O custo do seguro pode variar de 5% até superar 8% do valor do carro.


O taxista Vanderlei Ribeiro Lima, de 36 anos, morador de Brasília de Minas, no Norte do estado, tem carro há mais de 10 anos e nunca fez um seguro. Há dois meses, ele adquiriu um Siena usado (ano 2010) e conta que não fez o seguro por falta de condições financeiras porque tem que pagar 48 prestações do carro, financiado a R$ 582 por mês. “Já tive uns oito carros e nunca fiz seguro”, afirma o taxista, que também comemora o fato de nunca ter se envolvido em um acidente. Ele considera que em seu município a oferta ainda é pequena. “Muitos colegas quando se interessam por segurar seus veículos vão até Montes Claros.”

s seguradoras de grande porte afirmam que investem no mercado do interior, mas ainda assim chegar ao motorista brasileiro é um desafio. Nas pequenas cidades como nas capitais o percentual da frota sem proteção é parecido. Rogério Gebin, diretor da regional Seguros Gerais na Região Centro-Oeste da Zurich Seguros, aponta que, além dos pontos de atendimento espalhados pelas regiões polo do estado, a companhia investe no relacionamento para atender o perfil específico do consumidor do interior que valoriza esse aspecto. Sérgio Barros , diretor de Produto de Automóvel do Grupo BB e Mapfre, diz que a seguradora está atenta ao crescimento das cidades e faz investimentos em sua rede para conquistar esse consumidor.

Mercado potencial

Morador de Pirapora, a 340 quilômetros de BH, o industriário Sebastião Gonzaga Andrade, de 61, é proprietário de um Uno Mille Way 2012 e também não investe na proteção. “Não faço seguro porque viajo pouco e o preço é alto”, justificou.

Gerente da sucursal Minas da Porto Seguro, Cristiano Maschio diz que o percentual da frota brasileira que não adere a proteção mostra o potencial do mercado brasileiro. Na Sul América, o diretor regional de Vendas de Minas Gerais e Centro-Oeste, Marco Neves, avalia que o crescimento da seguradora – de 42% no setor de automóveis em 2013 – contou com impulso do interior .“As pequenas cidades ganham cada vez mais relevância. Apesar de o volume ser menor, o crescimento é proporcionalmente grande.”


18/08/2014 / Fonte: Estado de Minas

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